quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Sorte Malvada

Há dias assim...
Não foi do tempo, que até teve bom...
Não foi do futebol, que o meu clube até ganhou... e bem!
Não foi da neve, que não nevou aqui no "calhau"...
Não sei de que foi, mas hoje estou em dia não! Como diria a Bethânia :"São tantas coisinhas miudas..."

Será que afinal a vida é simples e nós é que a complicamos?

São tantas as perguntas que sempre ficam sem resposta...
E nestes dias, que nos sentimos em baixo, desanimados, como se o céu nos caísse em cima, que fazer?
De onde virá esta angústia que nos mói e consome sem razão aparente?
Porque será que a mais leve brisa por vezes nos parece uma enorme tempestade?
Não há uma luz, uma saída... só este imenso túnel onde caminhamos, aparentemente sem razão e sem sentido!
E mais não digo... não estou capaz de dizer mais nada...
Que tenham todos uma semana bem melhor que a minha...
Também não deve ser difícil...

domingo, janeiro 22, 2006

Património Vandalizado

A conservação do nosso património arquitectónico e artístico, devia ser um dever de todos nós.
Vem esta afirmação a propósito de um artigo saido hoje no Diário de Noticias da Madeira, sobre a vandalização da estátua do "Semeador", que é apenas um dos maiores e melhores trabalhos desse grande escultor que foi Francisco Franco, feita em Paris, em bronze e que foi durante muitos anos " a imagem de entrada" do edificio do Governo Regional na Avenida Zarco; há alguns anos, foi transferida para o topo do Parque de Santa Catarina, no centro da cidade, a dois passos da Residência oficial do Presidente do Governo, está “literalmente” coberta com inscrições, assinaturas, corações e outras figuras, efectuadas por quem nunca recebeu a instrução e a educação necessária para saber apreciar aquilo que de bom temos e que constitui a nossa verdadeira herança como povo!

Este é apenas um caso... Dos muitos que devem existir por esse pais fora, e não se deite a culpa para cima dos jovens, porque em muitos casos, os verdadeiros atentados que por aí se fazem ao nosso património muitas vezes têm, se não o apoio, pelo menos um silêncio concordante das entidades governamentais.

Veja-se, por exemplo, a “tradicional” e medieval aldeia de Óbidos, ainda hoje me espanta a grande evolução do povo Português, que já na idade média tinha conhecimentos para fazer vidros fumados, janelas com perfis de alumínio,etc.

Será que a ninguém deu parecer a esta “aberração” que surgiu num dos castelos mais visitados pelos turistas em Portugal?
Neste caso, a vandalização foi feita "de dentro" com a concordância de todos... Excepto o pobre do Castelo que não foi tido nem achado nesta triste história.
Mas afinal, não aprendemos nunca???



domingo, janeiro 15, 2006

O Santo Amaro


15 de Janeiro dia de Santo Amaro, é "dia de varrer os armários".
É o dia que marca o fim da Festa, em que se desfaz a "Lapinha", e se arruma tudo... na prática é o "fim do Natal"...

Antigamente, neste dia visitavam-se amigos e vizinhos, comiam-se as últimas broas de mel, preparava-se a ultima dose da carne de "vinhalhos", bebia-se o que ainda restava dos licores, etc...

Hoje em dia, já nada disto acontece.... a única visita foi a chuva... e o frio... este frio húmido e insistente, que ataca até aos ossos...


A tradição já não é o que era...

segunda-feira, janeiro 02, 2006

"O vento nada me diz"

A noite do fim do ano, aqui na Madeira, teve o seu ponto alto, como de costume com o fogo de artifício, foram 9 minutos de espectáculo de cor e de luz, iluminando a nossa bonita baía do Funchal, foi isto o que mostramos ao mundo...
Só quem cá vive, é que notou os engarrafamentos de trânsito enormes que duraram até às três da manhã, na chamada Via Rápida...
O porto do Funchal teve um movimento fora do normal, com cerca de onze navios cruzeiro...
Mas já ninguém viu que uma hora mais tarde restavam quatro...
A Madeira no fim do ano lembra-me um jogo de futebol... acaba o jogo e o estádio esvazia-se... vão-se os ecos dos aplausos e dos assobios cada vez mais rápido; vivemos intensamente estas duas semanas, numa euforia e numa correria que termina em quase nada; hoje, a vida volta ao normal.
E só hoje notamos que os combustíveis subiram mais uma vez, que os passes dos transportes foram também por aí acima, se calhar embalados por um dos foguetes da noite de S.Silvestre.
Só hoje voltamos a cair na real, a perceber que este país assim não tem futuro, se calhar não tem presente e qualquer dia, não tem (porque o esqueceu...) passado!

Resta-nos começar já a preparar as festas do Carnaval, da Flor, da Páscoa, de Verão, da Vindima, etc... Sem esquecer que em Junho temos o Campeonato do Mundo de Futebol, e vão ser se calhar mais quinze dias em que vamos esquecer tudo... e depois lá volta tudo ao princípio: aumentos, despedimentos, etc...

E lembro-me do Adriano Correia de Oliveira:

Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu país
O vento cala a desgraça
O vento nada me diz!

Embora o contexto seja diferente, continuam a não haver boas notícias ao vento neste país...

Feliz Ano Novo!

quinta-feira, dezembro 22, 2005

"Um dia, a maioria de nós irá separar-se..."

Um dia a maioria de nós irá separar-se..

Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe...nas cartas que trocaremos. Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses...anos... até este contacto se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo....
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão:
«Quem são aquelas pessoas?»
Diremos...que eram nossos amigos e...... isso vai doer tanto!
«Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!»
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente......
Quando o nosso grupo estiver incompleto... reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo. E, entre lágrima
abraçar-nos-emos.
Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo......
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades....
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"

Fernando Pessoa
Mandaram-me este texto junto com uma mensagem de Boas Festas.
Revejo-me e sinto cada uma destas linhas... Só um génio como Fernando Pessoa para retratar sentimentos de forma tão simples e sentida... Afinal, escrever até parece fácil!
Lembrei-me de muitos dos meus amigos, alguns que provavelmente nunca mais vou voltar a ver, porque as nossas vidas tomaram de repente rumos completamente distintos...
Confesso que me emocionei ao lê-lo...
Quem disse que os homens não choram?

segunda-feira, dezembro 19, 2005

As missas do Parto

Virgem do Parto, Oh! Maria
Senhora da Conceição
Dai-nos as Festas Felizes
Na Paz e na Salvação


Esta quadra, é uma das que é cantada na abertura e no encerramento das Missas do parto, uma das mais curiosas tradições do Natal da Madeira.
Independentemente do significado religioso que qualquer missa tem, as Missas do Parto têm um outro significado, de carácter mais pagão e até de certa forma lúdico, pelo que encerram de convivio e de alegria.
As chamadas Missas do Parto, destinam-se a comemorar os nove meses de gravidez da Virgem Maria, começam por isso mesmo nove dias antes do natal e culminam com a Missa do Galo, destinada a celebrar o Nascimento de Jesus, na Noite de Natal.
São celebradas cedo pela manhã, cerca das seis horas, para não perturbarem a labuta diária do povo trabalhador, em especial nas zonas rurais, onde o dia de trabalho começa bem cedo...
Mas as minhas recordações vão bem para além da celebração liturgica... lembro-me em especial, do cacau quente bebido logo após a missa, dos cortejos de amigos que à saida da igreja se divertiam a bater em todas as portas, acordando todos os que a essa hora ainda dormiam...
E essa barulheira das campainhas das portas e dos cães a ladrar era por todos bem aceite, com um sorriso, parece que até estavam à espera desse acordar para dar inicio às festas, e muitas vezes diziam com ar meio a brincar: "Ah, agora já lembra o Natal!".

São as missas do Parto em conjunto com a "morte do porco", a cozedura das broas, dos bolos de mel, as "luzinhas" das ruas, o cheiro e o sabor adocicado dos licores, o construir da "lapinha" e do "pinheiro", o "deitar da carne de vinho e alhos" que na realidade lembram o Natal neste Portugal plantado no Atlântico.

A todos os que por aqui passarem, um Santo Natal, ou, como aqui se diz, que tenham umas Boas Festas na Paz do Senhor!

domingo, dezembro 04, 2005

O Café Apolo

O Café Apolo, no centro da cidade do Funchal ocupa uma parte importante das minhas recordações da juventude... Foi lá,no café Apolo que passei uma parte do tempo da minha adolescência, tardes e tardes inteiras, a estudar ou simplesmente em amena conversa com amigos...

O Café Apolo, ainda existe e ainda possui uma das melhores "bicas" da cidade; infelizmente a qualidade das queijadas da madeira, dos cornucópios e dos pastéis de nata, já não é a que era, fruto talvez das transformações que entretanto se deram...Fez no passado dia 1 de Dezembro, 60 anos de existencia, é talvez o último dos cafés tradicionais da cidade que marcaram a década de 60, e o único que felizmente, ainda permanece mais ou menos intacto; outros como "A Indiana", a "Penha d´Águia", a "Felisberta", o "Minas Gerais" e até o "Golden Gate" (que foi- e bem!- recentemente reactivado) não tiveram a mesma sorte e não conseguiram resistir ao que chamamos de progresso.

Curiosamente, na mesma semana em que o Café Apolo fazia 60 anos, outro dos cafés típicos da cidade era demolido, o "Minas Gerais"; situado numa das mais famosas esquinas da cidade, a poucos metros da residência Oficial do Presidente do Governo Regional, nem isso o salvou.... Irá dar lugar a um prédio de escritórios e sabe-se lá que mais...

Por quanto tempo conseguirá o Café Apolo resistir?