terça-feira, dezembro 01, 2015

Renascimento ou restauração?

Neste dia 1 de Dezembro de 2015, quase quatro anos depois, volto a escrever aqui...
Não é um renascimento... é mais uma vontade de voltar a partilhar neste espaço alguns dos meus sentimentos...
Diria que mais do que um renascimento, é uma Restauração... Restauração de uma vontade, de um desejo, mais uma daquelas partidas que esta nossa estranha forma de vida nos prega...
Durante mais algum tempo voltarei a escrever neste espaço... Talvez menos regularmente, talvez ainda mais intimista, enfim, não sei..
Não será certamente pelo destino é mais pelo prazer que me dá este caminho!

Tiber


quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Esperança na vida

Eles não sabem nem sonham
que o sonho comanda a vida
que sempre que um homem sonha
O mundo pula e avança
Como bola colorida
Entre as mãos de uma criança


In "Pedra Filosofal" de António Gedeão


O que acontece então, quando se deixa de sonhar?
Quando todos os nossos sonhos se foram esfumando e dispersando tipo bruma aos primeiros raios de Sol matinal?
Quando até perdemos a capacidade de sonhar?
Continuará a vida a fazer sentido quando se vive sem sonhos?
Vida sem esperança, sem sonhos, é uma mera grandeza estatística, contribui apenas para a chamada esperança de vida, mas não serve de nada a quem não tem mais esperança na vida!
E quanto mais o tempo passa a capacidade de sonhar torna-se uma recordação longínqua, deixamos de fazer planos, passamos a viver um dia atrás do outro, sem metas, sem objectivos, sem esperança...
No fundo, arrastamo-nos pela vida, à espera que a morte chegue...

Eu não quero viver assim... tranquilamente à espera... a contribuir apenas para a estatística...
Será que se consegue voltar a sonhar? Voltar a ter esperança na vida?

Tiber

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Liberdade, felicidade, defeitos e feitios

Eu nunca me senti verdadeiramente Livre, fui (e sou) sempre uma espécie de prisioneiro dentro de mim, não consigo tomar decisões, sem pensar mais nos outros que em mim... E com isso nunca faço aquilo que verdadeiramente quero, acabo sempre refém das decisões dos outros..
E depois vem o remorso, a angustia do tempo perdido, de não ter feito aquilo que achava que devia ser feito, a solidão e o pior de tudo aquela sensação de ter passado ao lado da vida, sem nunca ter vivido verdadeiramente!
Estranha forma de vida, esta de ser feliz pela felicidade dos outros, sem nunca ser realmente feliz, de ser livre pela liberdade de outros, sem nunca ser verdadeiramente livre!

Mas agora, não há mais nada a fazer, já não é defeito... É feitio!!!!

segunda-feira, dezembro 13, 2010

O vaso do meu avô

Recordações do meu avô, tenho-as aos montes, algumas são mesmo lembranças reais, outras são mais difusas, e acrescidas do que quer minha mãe quer minhas tias me iam contando...
De entre elas, lembro-me do Vaso do meu avô:
-Meu avô tinha um daqueles vasos tipo Jarrão salvo erro em porcelana de Vista Alegre, lembro-me vagamente das cores, dos tons de azul...
Ora, eu, criança andava em casa de minha avó a saltar e a correr de um lado para o outro e era alvo de repetidos avisos do tipo "Ah! Rapaz tem cuidado não vires o vaso do teu avô, olha que que é de estimação...", e eu indiferente a esses meros pormenores lá continuava na minha "faina"... mas tantas vezes vai o cântaro à fonte... que um dia nem foi a asa, uma escorregadela, e pimba o vaso sem saber bem como ficou em pedaços... Depois de uma valente reprimenda da minha tia, lá veio a teoria "escondem-se os cacos, pode ser que o avô não dê por falta..." e assim foi feito..
Quando meu avô chegou a casa, eu como era habitual saltei-lhe para o colo, e logo lhe disse: "sabes, eu pati o jazo do vôvõ..." lá se foi o segredo que era coisa que eu não tinha jeito nenhum para guardar...
E só me lembro disto, como se fosse ontem: Meu avô quis ir ver os restos, depois olhou para mim e disse: Não te preocupes, o vaso está ali todo só perdeu foi a forma!
Lembro-me muito desta frase... muitas vezes, quando a nossa vida parece toda partida e virada do avesso, não é caso para desesperar... não perdemos a vida, só mudou foi de forma!
Haja é coragem para mudar a forma voluntariamente e não esperar que tudo se parta e faça em cacos antes...


domingo, novembro 28, 2010

O gato amarelo....

Há um mês atrás, apareceu aqui em casa um gatinho amarelo, veio de fininho, a miar e logo foi decidido que há-de ficar aqui enquanto quiser e se sentir bem....
Ate lá, é da família, com tudo a que tem direito....
Incluindo o nome: Tobias, de sua graça
E foi a propósito do Tobias, que me lembrei de Fernando Pessoa:

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes
Que tens instintos gerais
E só sentes o que sentes

És feliz porque és assim
Todo o nada que
és é teu
Eu vejo-me e estou sem mim
Conheço-me e não sou eu.

sábado, novembro 27, 2010

Começar de Novo

Já estive várias vezes para encerrar definitivamente este espaço.. Por uma razão ou por outra, vou sempre adiando, adiando e depois lá vem o esquecimento que a idade não perdoa...
Hoje foi mais um desses dias.. mas acabei por dar a conhecê-lo a alguém que eu prezo... e gosto muito... E o resultado, foi um espaço de cara lavada outra vez, e o desejo de ir para aqui "postando" algumas coisas minhas, desabafos e histórias que fazem parte de mim e da minha vida...
E é nesta altura, em que somos cercados pela crise e atacados por todos os lados, que me vem a vontade de continuar por aqui...

Sim, porque a culpa é da vontade!


Tiber

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Inquietação

Este fim de semana, aproveitei o dia de sábado para me sentar à frente da Televisão, e vi de uma assentada dois filmes, tipo sessão dupla das 21h, a lembrar as saudosas sessões da meia noite do cinema Quarteto, na segunda metade da decada de 70..

O primeiro, um filme de 2007, com essa extraordinária actriz que é a Jodie Foster: The Brave One, um filme sobre a vingança, que coloca uma grande questão: O que fazer quando a justiça não funciona? Pode alguém armar-se em Juiz e fazer justiça?
Para mim, é óbvio que não, mas o filme levanta várias questões e deixa algumas duvidas no ar....

O segundo filme da sessão: "The Contender" ou, em português "O Jogo do Poder" é também muito interessante, trata no fundo de discriminação, neste caso, discriminação de uma mulher que quer a todo o custo manter a sua vida privada fora da sua vida política, mesmo que isso lhe custe o lugar de Vice-Presidente dos EUA... Mas vai um pouco mais além, mostra uma mulher de princípios, que se recusa a usar os mesmos argumentos e nem sequer se defende dos ataques, porque entende (com razão...) que está a ser discriminada, que se fosse homem essa questão nem se ponha... Põe igualmente a nu, o falso moralismo americano, em que "tudo é permitido" desde que não se saiba... No fim, claro que os "bons" triunfam, mas sai mal do retrato a Política ( e os políticos) norte-americana, pois fica no ar a ideia de que para atingirem os fins, qualquer meio serve... Será que por cá é a mesma coisa? Até tenho medo da resposta...

Foi assim um fim de semana que me pôs a pensar na Justiça e na Discriminação, seja ela racial, sexual, religiosa, etc.. e chego á conclusão, que em Portugal, muitos destes argumentos ainda são válidos...
A Justiça é lenta, e muitas vezes falha, leva-nos ao desespero, ao descrédito e felizmente por enquanto ainda não nos leva a fazer justiça "à revelia", pelas nossas próprias mãos, mas ou se arranja maneira de resolver este problema ou... não sei o que poderá acontecer...

E a Discriminação? Será que existe por cá? Bom, pode não ser muito evidente, mas que existe, existe... e há principalmente muita mulher que a sente... no salário, na maternidade, no emprego etc...

E a responsabilidade acaba por ser nossa que nos acomodamos no nosso bem estar, esquecendo um pouco o que nos rodeia, passeamos muitas vezes com indiferença pelo que se passa à nossa volta, assobiando para o ar enquanto outros sofrem na pele injustiças e discriminação...
O problema é que um dia, toca-nos a nós e que Deus nos acuda... mas como nessa altura Deus não deve ter mãos a medir, tantos são os problemas do mundo, então resta-nos o quê?
E porquê esta inquietação agora? Estou mesmo a ficar velho...

Tiber