terça-feira, março 07, 2006

O mar da ilha


Este Inverno tem sido o mais rigoroso dos últimos anos... Desde a chuva que tem sido abundante, até ao frio e ao vento, parece que temos tido tudo aqui pela ilha.
E para falar de Inverno e da Ilha, não podemos esquecer o mar... o cheiro a maresia, o barulho das ondas faz-me falta...

Mas o mar tem que nos merecer respeito... e nem sempre o respeitamos...poluimos, destruimos, damos cabo das suas costas, acabamos com os seus peixes, matamos os recursos que possui, pensando que são ilimitados...
E de vez em quando, o mar irrita-se, enfurece-se, reclama aquilo que lhe pertence... e os resultados são catastróficos...
Há duas semanas, a marina do Lugar de Baixo, na Ponta de Sol, foi outra vez atingida...
Os estragos, só provam que a incúria do Homem tem um preço, mais tarde ou mais cedo, alguém vai ter que pagar!

Felizmente, os danos são só materiais, não haver feridos nem mortos, já não foi mau de todo..


"Oh mar Salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal"

domingo, fevereiro 26, 2006

Acalmia

Finalmente parece que o trabalho por aqui está a abrandar...
Hoje já tive tempo para por a leitura (e a escrita..) em dia. Esta ideia luminosa das empresas reduzirem o pessoal, tem uma consequência directa: sobra para os que cá ficam... foram quase três semanas a sair fora de horas... e pior que isso, a chegar a casa tão cansado que apetecia tudo menos andar por aqui...
Enfim, parece que tudo está a voltar à normalidade.. E com as mini-férias do Carnaval vai dar para pelo menos descansar alguma coisa...
A Madeira está outra vez cheia de gente por causa do Carnaval... É uma época que pouco me a atrai, e nada me diz...Feita à base de "importações" brasileiras, que tentam trazer para cá, um costume que não é nosso...e ao qual a população ainda não adere em massa... fica a festa e o desfile, para "inglês" ver...
Mas o verdadeiro Carnaval madeirense está cada vez mais adulterado e disfarçado... Já quase não se fazem sonhos nem malaçadas... foram trocadas muitas vezes por cachorros quentes, hamburgers, etc...
Acabaram as lutas de ovos e farinha na Rua da Carreira, as "bisnagas" de água para atirar a quem passava, os confetti coloridos e as "bombinhas de mau cheiro"...

A todos um bom fim de semana e aos que podem e gostam, um bom e divertido Carnaval.

Tiber

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Politica (?) Desportiva

Tem sido muito criticada a política desportiva do Governo Regional da Madeira; com efeito a "subsídio-dependência" criada e muitas vezes fomentada pelo Governo Regional, conduz muitas vezes a mau aproveitamento de dinheiro e à instalação de vícios inaceitáveis.
Mas, contrapor isso na prática, com medidas discriminatórias, lesivas da unidade Nacional, e da igualdade que a nossa (?) Constituição consagra, é para ser simpático, uma forma idiota e pacóvia de ver estes problemas.
Vem esta conversa toda a propósito da Federação Portuguesa de Andebol ter "impedido" uma equipa da Madeira, que por acaso até é (salvo erro) hepta campeã nacional (ganhou os últimos sete campeonatos...) de participar em conjunto e em igualdade com todas as outras, no Campeonato (dito) Nacional de Andebol; a participação vai resumir-se aos ultimos 4 jogos, disputados em terreno neutro (necessáriamente no Continente claro está...) sem efectuar nenhum outro tipo de jogo oficial... A equipa do Club Sport Madeira, arrisca-se a ser campeã, disputando apenas 4 jogos ao longo de todo o ano...
O problema é para mim mais vasto e ultrapassa largamente a mera questão desportiva; tem que ver com a visão tacanha de que o "País é Lisboa e o resto é paisagem"; são resquícios de um império colonial que se pensava já estarem completamente erradicados; pelos vistos, alguns saudosistas dessa época, ainda fazem história... E não me venham com desculpas de carácter económico... essa é uma falsa questão, aqui, a verdadeira razão é bem diferente, é a tradicional hegemonia macrocéfala da Capital do Império, que está em causa; enquanto esta situação se mantiver, enquanto Lisboa não entender que o império está morto e enterrado, este país não anda... continuaremos a ser ultrapassados por todos, e sempre solícitos e queixosos de que não temos recursos... Coitadinhos...


A sabedoria popular do nosso António Aleixo, já reclamava:

Vós que lá do vosso império
Reclamais um Mundo Novo
Calai-vos, que pode o Povo
Querer um Mundo Novo a sério

Tiber

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Sorte Malvada

Há dias assim...
Não foi do tempo, que até teve bom...
Não foi do futebol, que o meu clube até ganhou... e bem!
Não foi da neve, que não nevou aqui no "calhau"...
Não sei de que foi, mas hoje estou em dia não! Como diria a Bethânia :"São tantas coisinhas miudas..."

Será que afinal a vida é simples e nós é que a complicamos?

São tantas as perguntas que sempre ficam sem resposta...
E nestes dias, que nos sentimos em baixo, desanimados, como se o céu nos caísse em cima, que fazer?
De onde virá esta angústia que nos mói e consome sem razão aparente?
Porque será que a mais leve brisa por vezes nos parece uma enorme tempestade?
Não há uma luz, uma saída... só este imenso túnel onde caminhamos, aparentemente sem razão e sem sentido!
E mais não digo... não estou capaz de dizer mais nada...
Que tenham todos uma semana bem melhor que a minha...
Também não deve ser difícil...

domingo, janeiro 22, 2006

Património Vandalizado

A conservação do nosso património arquitectónico e artístico, devia ser um dever de todos nós.
Vem esta afirmação a propósito de um artigo saido hoje no Diário de Noticias da Madeira, sobre a vandalização da estátua do "Semeador", que é apenas um dos maiores e melhores trabalhos desse grande escultor que foi Francisco Franco, feita em Paris, em bronze e que foi durante muitos anos " a imagem de entrada" do edificio do Governo Regional na Avenida Zarco; há alguns anos, foi transferida para o topo do Parque de Santa Catarina, no centro da cidade, a dois passos da Residência oficial do Presidente do Governo, está “literalmente” coberta com inscrições, assinaturas, corações e outras figuras, efectuadas por quem nunca recebeu a instrução e a educação necessária para saber apreciar aquilo que de bom temos e que constitui a nossa verdadeira herança como povo!

Este é apenas um caso... Dos muitos que devem existir por esse pais fora, e não se deite a culpa para cima dos jovens, porque em muitos casos, os verdadeiros atentados que por aí se fazem ao nosso património muitas vezes têm, se não o apoio, pelo menos um silêncio concordante das entidades governamentais.

Veja-se, por exemplo, a “tradicional” e medieval aldeia de Óbidos, ainda hoje me espanta a grande evolução do povo Português, que já na idade média tinha conhecimentos para fazer vidros fumados, janelas com perfis de alumínio,etc.

Será que a ninguém deu parecer a esta “aberração” que surgiu num dos castelos mais visitados pelos turistas em Portugal?
Neste caso, a vandalização foi feita "de dentro" com a concordância de todos... Excepto o pobre do Castelo que não foi tido nem achado nesta triste história.
Mas afinal, não aprendemos nunca???



domingo, janeiro 15, 2006

O Santo Amaro


15 de Janeiro dia de Santo Amaro, é "dia de varrer os armários".
É o dia que marca o fim da Festa, em que se desfaz a "Lapinha", e se arruma tudo... na prática é o "fim do Natal"...

Antigamente, neste dia visitavam-se amigos e vizinhos, comiam-se as últimas broas de mel, preparava-se a ultima dose da carne de "vinhalhos", bebia-se o que ainda restava dos licores, etc...

Hoje em dia, já nada disto acontece.... a única visita foi a chuva... e o frio... este frio húmido e insistente, que ataca até aos ossos...


A tradição já não é o que era...

segunda-feira, janeiro 02, 2006

"O vento nada me diz"

A noite do fim do ano, aqui na Madeira, teve o seu ponto alto, como de costume com o fogo de artifício, foram 9 minutos de espectáculo de cor e de luz, iluminando a nossa bonita baía do Funchal, foi isto o que mostramos ao mundo...
Só quem cá vive, é que notou os engarrafamentos de trânsito enormes que duraram até às três da manhã, na chamada Via Rápida...
O porto do Funchal teve um movimento fora do normal, com cerca de onze navios cruzeiro...
Mas já ninguém viu que uma hora mais tarde restavam quatro...
A Madeira no fim do ano lembra-me um jogo de futebol... acaba o jogo e o estádio esvazia-se... vão-se os ecos dos aplausos e dos assobios cada vez mais rápido; vivemos intensamente estas duas semanas, numa euforia e numa correria que termina em quase nada; hoje, a vida volta ao normal.
E só hoje notamos que os combustíveis subiram mais uma vez, que os passes dos transportes foram também por aí acima, se calhar embalados por um dos foguetes da noite de S.Silvestre.
Só hoje voltamos a cair na real, a perceber que este país assim não tem futuro, se calhar não tem presente e qualquer dia, não tem (porque o esqueceu...) passado!

Resta-nos começar já a preparar as festas do Carnaval, da Flor, da Páscoa, de Verão, da Vindima, etc... Sem esquecer que em Junho temos o Campeonato do Mundo de Futebol, e vão ser se calhar mais quinze dias em que vamos esquecer tudo... e depois lá volta tudo ao princípio: aumentos, despedimentos, etc...

E lembro-me do Adriano Correia de Oliveira:

Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu país
O vento cala a desgraça
O vento nada me diz!

Embora o contexto seja diferente, continuam a não haver boas notícias ao vento neste país...

Feliz Ano Novo!